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Gisele Santos

Capítulo Único


Era inverno e eu estava triste, tinha acabado meu noivado com Lilá Brown há pouco tempo, estava tentando me acostumar com isso.

Existe coisa pior que casar com uma pessoa que só quer saber do quanto você ganha e do quando você ganhará para sustentá-la?

Pensei que ela fosse o amor de minha vida, namorávamos desde o ensino médio, eu tinha dezesseis anos quando começamos a namorar.

Se me perguntassem naquele tempo, eu poderia jurar que hoje eu ainda estaria com ela.

Isso faz com que eu me pergunte o que pode ter acontecido pra ela ter mudado nesse tempo.

São tempos difíceis para os relacionamentos.

Tempos tão difíceis que se eu não estivesse namorando, não me atreveria a entrar em um.

Tanto é que agora, um mês depois do término de nosso noivado, eu não quis saber de mulher nenhuma, estou tentando fugir de problemas.

Estou indo agora numa cafeteria com meu melhor amigo e cunhado, Harry. Ele é noivo de minha irmã mais nova, Gina.

Ao entrarmos, pude me deliciar com o cheiro que emanava daquele lugar, era daquilo que eu precisava depois de tantos anos.

Sim, anos, nós vínhamos aqui desde criança, aqui tem o melhor chocolate quente do mundo.

Olhamos na mesma direção, a do lugar de onde sempre ficávamos quando vínhamos aqui.

Embora ter mudado muito, aquele lugar não tinha perdido a magia de quando éramos crianças. Uma onda de nostalgia me bateu e eu comecei a olhar ao redor, por todos os cantos da cafeteria.

—Está procurando por ela? - Harry me perguntou.

—Está tão na cara assim? Será que ela ainda frequenta esse lugar?

—Bem, ela era a filha do dono daqui, se ainda forem os mesmos, ela deva aparecer aqui de vez em quando.

—Hum... Não seria ruim encontrá-la novamente, não acha?

—Não seria, ela era legal. Quem sabe não aparece antes de irmos embora.

Depois de termos feito nossos pedidos Harry puxou uma conversa esquisita.

—Hey, Rony...

—O que foi?

—Eu estava aqui me recordando... você sempre me pareceu meio apaixonado pela Hermione.

—Quem é Hermione? - perguntei confuso.

—A filha do dono da cafeteria.

—Eu apaixonado por ela? - debochei – Nem se eu quisesse. Ela só era legal.

—Aham... e o que me fala da fascinação que você tinha pelos cabelos dela?

—Eu era fascinado por eles? Não lembro disso... - tentei desconversar

—Vivia falando do cheiro que eles tinham.

—Como você sabe que eu vivia cheirando os cabelos dela?

—Você acabou de confirmar...- ele riu enquanto eu bufei - você já foi mais esperto, Weasley.

—Cale-se, Harry...

Como nós não resistimos a nostalgia, bebemos chocolate quente com alguns biscoitos.

Assim que acabamos, resolvemos ir embora, quando estávamos próximos da saída, uma mulher morena e de longos cabelos cacheados entrou de supetão na cafeteria. Ela tinha uma mochila grande e alguns livros sendo carregados entre seus braços.

Ela foi diretamente passando para trás do balcão e jogou suas coisas num canto qualquer.

—Hermione, não bagunce tudo! - falou um senhor que pude reconhecer como o dono da cafeteria.

—Pode deixar! - ela falou jogando mais alguma coisa em um canto qualquer, fazendo com que seu pai balançasse a cabeça em negação.

Depois de se organizar, ela olhou para nós, que só agora eu havia percebido que tinha acompanhado cada movimento dela.

Apenas puxei Harry e fomos embora.

—Lembra do romance que vocês quase tiveram?

—Lembro, Harry, o que tem ele?

—Bem, você está solteiro agora...

—Eu a esqueci totalmente quando conheci Lilá, acha mesmo que sou cara de pau a ponto de tentar algo com ela?

A conversa terminou ali.

Na semana seguinte, fomos lá novamente. Não vi Hermione, mas senti que estava sendo observado.

Sem perceber, meus amigos e eu voltamos a frequentar aquele lugar, as vezes Hermione estava lá, nos observando, ela nunca vinha nos atender.

Um certo dia, resolvi ir sozinho lá, era bem cedo, estava no inverno, nada melhor do que uma das delícias quentes daquele lugar.

Me surpreendi ao ver que apenas Hermione estava lá pra atender, havia também um segurança, mas ele ficava sentado num lugar próximo a porta.

Aproveitei as vantagens que eu tinha naquele momento e me sentei no mesmo lugar de sempre.

Não demorou pra que ela fosse me atender.

Eu pedi dois chocolates quentes, um com chantilly e outro sem.

—Aqui está - ela falou me entregando o que eu tinha pedido. Ela estava se retirando quando a chamei.

—Não quer que eu tome os dois sozinhos, não é?

—Estou trabalhando, Ronald – ela me surpreendeu ao falar meu nome.

—Vamos, Hermione, ainda está vazio...

—Foi assim da outra vez...

—Que vez?

—Quando nos conhecemos – ela suspirou e se sentou em minha frente mordendo o lábio inferior.

—Eu não lembrava disso.

—Você pareceu se esquecer de muitas coisas – ela falou soltando um sorriso triste, eu fiquei constrangido.

—Muitas coisas mudaram naquele tempo.

—Mas parece que voltaram a ser como era antes, já que você voltou a frequentar esse lugar, não é?

—Em partes... - suspirei – Olhe, eu sei que errei com você, que eu não deveria ter sumido assim, eu te dei esperanças, fiz promessas e não as cumpri...

—Você não precisa se desculpar, graças ao que eu passei com você, pude aguentar outras coisas de cabeça erguida...

—Não me venha com essa, eu te magoei. Quando percebi o que tinha feito e voltei aqui, descobri que você não estava mais no país.

—Consegui um intercâmbio no Brasil naquela época.

—Brilhante como sempre – pude ver as bochechas dela corarem – Foi bom o tempo que passou lá?

—Aprendi muito...

—Faz tempo que voltou?

—Há quatro anos.

—E o que faz agora?

—Estou terminando meu curso de letras.

—Você sempre amou escrever...

Depois disso eu olhei em seus olhos e sorri, ela sorriu envergonhada e terminou de tomar seu chocolate.

—Você vem amanhã? - ela me perguntou ao se levantar.

—Se você quiser...

—Eu só quero que faça o que tiver vontade de fazer.

—Talvez então... só se você tomar algo comigo depois.

—Fechamos as nove e meia da noite – ela falou enquanto dava as costas pra mim e caminhava para atender um cliente que tinha acabado de chegar.

Um novo amor não seria uma boa ideia, mas o que dizer que um antigo amor de inverno?

Gisele Santos
Capítulo Único


Ela não estava aguentando mais tudo aquilo, depois da guerra ela não conseguiu tirar seus pais da vida que eles criaram, ela não tinha o direito.

Eles já estavam formando uma nova família, sua mãe estava grávida, parecia ser de uns seis meses. Ela não podia mexer com a vida deles daquele jeito novamente.

Sua vida não tinha mais sentido, não conseguia pensar em mais nada a não ser em como não deveria estar viva, que deveria ter morrido com os outros.

Ronald e Harry tinham ido em missão para caçar o resto dos comensais da morte que haviam fugido. Ela tinha ido procurar os pais, por isso não fora com eles, se arrependeu depois.

A dor de ter perdido pessoas tão queridas e da distância dos meninos fez com que ela perdesse as forças e a vontade de viver. Ainda com isso na cabeça, ela caminhou até seu quarto e pegou o veneno que ela mesma havia preparado naquela tarde, se deitou na cama e bebeu. Pensando em como gostaria de ver os olhos azuis e os cabelos vermelhos de Rony pela última vez, perdeu a consciência.

Ao acordar, ainda confusa, ela pode reparar que não estava em casa, ela tinha um fio enfiado num braço que estava ligado a bolsa de soro. Embora saber que estava frágil, ela percebeu que não estava em um hospital, mas em um quarto conhecido.

Ao ver Gina entrar no quarto, ela se envergonhou do que tinha feito. Gina tinha profundas ollheiras, que pelo jeito tinham sido sua culpa.

– Gin..

– Shiuu... – Gina sussurrou perto dela, com os olhos cheios de lágrimas – não se esforce, vou cuidar de você.

Gina tinha se tornado uma medibruxa rapidamente, as consequências da guerra a fizeram se esforçar ainda mais.

– Me desculpe... me desculpe – Hermione começou a chorar. – eu não aguento mais tudo isso, estou perdida!

– Não está... perdida estou eu, ter que cuidar da minha amiga que tentou se matar, eu não sei o que fazer, Mione...

– Gina...

– É hora de você descansar! – vou te dar uma poção pra dormir.

– Obrigada... por tudo – Hermione falou antes de fechar os olhos e cair num sono profundo.

Ao acordar, percebeu que estava amanhecendo, o colchão velho rangeu quando ela se mexeu, ela sentiu que algo se movimentava pelo quarto, ao se virar, viu que era Gina.

– Hora de se levantar! – ela falou sorrindo – venha, você tem que tomar café.

– Me ajuda? – perguntou a ela.

– Claro! – ela retirou seu soro e a ajudou a se levantar.

– Gina, posso tomar um banho?

– Sim, venha, eu te ajudo no banho.

Quando saíram do banheiro, perceberam que mais alguém estava no quarto, quando Gina viu quem era, decidiu sair logo, dizendo que era melhor que eles conversassem sozinhos.

Hermione ficou tensa e ao mesmo tempo feliz em vê-lo, mas ficou triste ao ver que seus olhos tinham alguns rastros de lágrimas.

– Ron...

– Mione... – ele falou meio seco, ela recuou um passo.

Eles se olharam por um tempo, não suportando mais a distância de três meses, ela cambaleou e se jogou nos braços dele. Rony a apertou com tanta força que ela pensou que ele fosse quebra-la, mas não ligou pra isso, sentiu tanta saudade que não ligaria de morrer nos braços dele.

– Eu senti tanto medo, Mione... não faça isso de novo, por favor, não sei o que faria sem você!

“Já tem sido ruim o suficiente ter que fingir que tudo vai ficar bem, mas eu não vi mudanças desde que Voldemort morreu, tudo está tão confuso e incerto...”

– Me desculpe – ela também chorava e estava tão exausta se se apoiava totalmente nele.

Rony se sentou e encostou as costas na parede enquanto a colocava sentada em seu colo.

– Me prometa – ele segurou seu rosto -, prometa que nunca mais vai tentar tirar a própria vida!

– Ron...

– Prometa, Mione! – ele a olhava sério.

– Eu não sei se posso... eu não estou bem, Ron!

– Então prometa que vai tentar melhorar, por mim!

Hermione olhou pra ele e imediatamente se lembrou do que tinha pensado ao tomar o veneno, ela queria vê-lo de novo, e ela o viu... esse era o sinal.

– Por você, Ron, eu até enfrentaria Voldemort novamente – e recebendo dele um sorriso sofrido, encerrou a distância entre eles e lhe beijou.

– Faria o mesmo por você, nunca mais vamos nos separar, ouviu? – ela assentiu – Amo você e não sei o que faria se você não estivesse mais aqui quando eu voltasse.

– Eu fiquei sem saber por você estar longe... também amo você!
Gisele Santos
Capítulo Único


Eu tentava não acreditar naquilo.

Tentava fazer com que aquilo não me subisse à cabeça.

Mas era difícil...

Foram anos de risadas, amizade, lutas, brigas e desespero. Até que finalmente nos acertamos.

Lembro-me de cada lágrima caída, cada feitiço lançado, cada batalha vencida...


Lembro de tudo que envolve ele.


Permanecemos juntos namorando por alguns anos, que observando agora, parece que passaram voando.

E mesmo estando agora casada com ele, não quero acreditar que o tenho só pra mim.

Tenho medo de enlouquecer depois de tudo que passamos para que pudéssemos estar juntos em paz.

Mas pelo menos uma vez por semana eu falo aquilo em voz alta para não enlouquecer.



“Você é só meu, Ronald Weasley.”
Gisele Santos
Capítulo Único


O que aconteceria depois de alguns copos de cerveja amanteigada?

Era a grande pergunta que vinha na mente de Harry depois que ficou sabendo que seus melhores amigos iriam juntos para a festa do professor Slug.

Por um tempo, ele pensou que os amigos tinham se esquecido do sentimento que nutriam um pelo outro, o sentimento que gerou muitas brigas no quarto ano.

Sim, Ronald Weasley e Hermione Granger iriam juntos, como se fosse um encontro... Harry esperava por isso desde o quarto ano.

A festa seria em três dias, por incrível que pareça, Rony e Hermione não tem discutido como antes, estão mais calmos e sorrindo mais um pro outro, é estranho, mas isso o deixa feliz.

Por um instante, Harry pensou que Rony fosse estragar tudo, pois ele ficou muito irritado quando ficou sabendo que Hermione tinha beijado Krum no baile de inverno.

...

Na noite anterior, eles haviam ganhado um jogo de quadribol em que ele foi o grande astro, defendeu quase todos os arremessos. Quando estavam comemorando, Lilá Brown se pendurou no pescoço dele e lhe tascou um beijo no meio de todo mundo.

Rony arregalou os olhos pra ela e logo a afastou dele, na frente de todo mundo mesmo e pediu desculpas, dizendo que não podia fazer aquilo.

Lilá ficou sem graça e foi pra um canto conversar com Parvati.

Harry pode jurar que Hermione vinha dando sorrisos maiores a Ron depois daquilo.

Nos dias seguintes as coisas não mudaram, eles conversavam um pouco, riam, discutiram algumas vezes... mas logo se resolviam.

E para o dia ficar melhor, nesse mesmo dia, Gina tinha acabado com Dino e como não tinha mais ninguém para ir a festa com ela, ela iria com Harry.

O dia da festa havia chegado, Harry e Rony já estavam devidamente arrumados pra ir e esperavam as garotas no salão comunal da Griffinória.

Elas desceram alguns minutos depois, Gina usava um vestido verde de alças que era preso na cintura por um cinto e que tinha a saia solta. Hermione estava com um vestido mesclado de azuis onde as alças cruzavam nas costas, ele era quase totalmente justo no corpo.

Gina e Harry ataram os braços e saíram na frente de Rony e Hermione.

Eles ficaram se olhando por um tempo antes de sorrir e fazer o mesmo caminho que os outros tinham feito, só que eles foram de mãos dadas.

Na festa, era visível o quanto Hermione e Rony eram tímidos, ou pelo menos estavam nesse momento. Tentando ajudar um pouco os amigos, Harry e Gina se pronunciaram.

– Vamos dançar, pessoal? – perguntou Harry, isso deixou Rony e Hermione meio confusos, Harry não gostava de dançar.

– Vamos! – respondeu Gina – vamos, se levantem! – ela arrastou Hermione e Rony e os deixou um de frente pro outro enquanto ela era guiada por Harry.

Timidamente, Rony segurou uma das mãos de Hermione e a outra segurou sua cintura. O arrepio que ele sentiu ao fazer isso quase o fez sair correndo dali.

Dançaram até cansarem os pés. Depois de deixar Hermione numa mesa, Rony foi buscar umas bebidas pra eles, algum tempo depois ele voltou com duas canecas de cerveja amanteigada e deu uma a Hermione.

Um tempo depois Gina e Harry se juntaram a eles e também começaram a beber. Depois de terem perdido as contas que quantas tinham bebido, a festa estava acabando e eles resolveram ir para os suas respectivas casas.

Harry e Gina, que tinham ido apenas como amigos, não se largavam mais e estavam sempre de mãos dadas. O incrível era que Rony não estava dando a mínima pra isso.

Enquanto o recém casal de amigos andava a frente, Rony andava mais devagar com Hermione, eles também estavam de mãos dadas e sorriam muito, as faces estavam um pouco rosadas por causa da bebida, mas ainda conseguiam distinguir bem o que queriam.

Enquanto uma das escadas que os levava a caminho do salão comunal da Griffinória se movia, Rony não resistiu e encostou Hermione no corrimão da escada e aproximou seu rosto do dela, fazendo uma leve carícia e lhe dando um beijo na bochecha, bem perto da boca, ela suspirou e virou um pouco o rosto, permitindo que seus lábios se encontrassem num beijo calmo.

Ao se separarem, ofegantes, sorriram e subiram a caminho do retrato da mulher gorda.

Resolveram não entrar imediatamente e continuaram se agarrando ali mesmo. Foram interrompidos por um pigarro, ao se virarem, envergonhados, viram que Gina estava com uma câmera de fotos automáticas e com uma foto deles se beijando em mãos.

– Haha, vocês tem que ver a cara que estão!

– Deixa eles, Gina! Já temos o que queremos! – falou Harry que estava segurando Gina pela cintura.

– Do que estão falando? – Perguntou Hermione ainda sem tirar um de seus braços do pescoço de Rony.

– Fred e Jorge! – responderam Gina, Harry e Rony ao mesmo tempo.

– Ai não! – ela choramingou – Não mostrem isso a eles, vai ser o nosso fim, Ron.

– Eu sei!

– Não adianta, já era! Podem continuar agora. – Gina e Harry se viraram para o salão comunal e entrara, Rony e Hermione vinham logo atrás deles.

Rony arregalou os olhos ao ver Gina e Harry se despedirem com um selinho, Hermione apenas deu risadinhas e Gina o olhou debochadamente enquanto subia em direção ao dormitório feminino.

Antes que Rony fosse reclamar algo com Gina e Harry, Hermione o puxou e empurrou para que se sentasse em uma poltrona e ela se sentou em seu colo. Ele passou um braço pela cintura dela e apertou, fazendo com que ela se aproximasse mais para que pudesse juntar seus lábios.

Hermione nunca tinha se sentido tão feliz em toda sua vida, estar com Rony era como estar deitada na grama em um dia fresco de verão. Todas suas preocupações foram embora, não ligava em quebrar as regras, nem se lembrava mais que os bruxos estavam entrando em guerra novamente, só Rony existia em seu mundo.

Rony achava que estava em um jantar de Natal na Toca, com comida boa e presentes, só que com mais calor e abraços de Hermione.

– Isso é um perigo... – ele sussurrou no ouvido dela enquanto lhe dava beijos no mesmo local.

– É?... – ela nem conseguia falar direito.

– Talvez eu não consiga mais desgrudar de você

– Eu não quero que você desgrude de mim, Ron...

– Espero ouvir a mesma coisa amanhã pela manhã, sem o efeito da bebida!

– Não estou tão bêbada assim...

– Ah claro, Hermione Granger, sentada no meu colo, me beijando e falando essas coisas? Um de nós tem que estar bêbado – Mione riu.

– Claro que esse alguém é você!

– Certo, não vou discutir isso com você, tenho coisas melhores pra fazer! – falou ele antes de lhe beijar novamente.

– Rony... temos que ir!

– Acho que o efeito da cerveja acabou!

– Talvez! Vamos, temos que ir dormir!

– Certo – os dois se levantaram. – Até amanhã no café.

– Até – ela lhe deu um selinho e subiu as escadas do dormitório feminino enquanto ele ia no sentido contrário.

Gisele Santos
(Me dá um desconto pq faz tempo que não escrevo uma Ron x Mione)

Pode ser simples tudo isso que estamos fazendo, mas é mais uma forma de mostrar como gostamos um do outro. 
Um ato cheio de amor, amor esse que escorre por todos os lados nessa época do ano.
Que, embora não nos conheçamos pessoalmente, possamos buscar formas de estarmos juntos todas as vezes, que possamos ajudar um ao outro e fazer sorrir.

Essa fanfic é dedicada a Alana e a todos do FTEL
Capítulo Único

Ele caminhava pelas ruas frias e decoradas pela neve que caíra a pouco. Solitário como tem sido desde que acabou com sua namorada.

Nunca ele se identificou tanto com o clima como dessa vez.

Estava tudo frio, branco e sem graça, assim como sua vida. Ele vinha se embebedando há algum tempo por causa dela, até que essa semana, quando quase morreu, resolveram levá-lo a um psicólogo.


O pior de tudo é o motivo da briga.

Eles se conheciam há muito tempo, sabiam dos gostos de cada um de cor antes de começarem a namorar, mas mesmo assim, ainda brigavam por causa de idiotices.
Dessa vez tinha sido por causa de uma saia que ela iria sair que era mais curta que as demais que ela usava.
Ela se irritou como nunca antes. Disse que estava odiando esse ciúme excessivo dele. E acabou com ele, com a promessa de que nunca mais iriam voltar.

E Ronald sabia que ela estava falando a verdade.
A conhecia o suficiente para saber quando falava a verdade ou não.

Lilá nunca brincava com essas coisas, então resolveu não ir atrás dela. Tentou seguir sua vida.


Ele criou um mundo ao redor dela, com ela ao seu lado, mas ela acabou com tudo... ou foi ele?


Ronald se deprimiu, buscou se confortar no que não devia, bebeu muito, usou algumas drogas, bebeu novamente, até que quase morreu de frio depois de uma noite que caiu bêbado na rua.

Seus amigos e família o obrigaram, a ir ao psicólogo, se continuasse assim, ele morreria logo.

Ele foi pra lá a muito contragosto, principalmente por ter ido com seus irmãos por terem medo dele desviar de seu caminho e ir beber novamente.


Ele não fugiria, já sabia o que fazer.

Bastava ele fazer pequenas coisas: responder algumas perguntas e falar o que achar que deve falar, afinal, ele estava naquilo por querer, não por precisar realmente de ajuda, ele sabia o que era certo e errado, sabia o que deveria fazer ou não, mas só queria afogar as mágoas.


Esperou um pouco até dar a hora de sua consulta.


Ao entrar no consultório, deu de cara com uma mulher com jeito de ser desequilibrada dos neurônios.

“Estranho... ela trabalha aqui ajudando ou é a própria psicóloga?”

Ela tinha os cabelos cacheados e grandes olhos por trás do óculos fundo de garrafa e escrevia algumas coisas no papel como uma louca.

Ele andou desconfiado até ela e a cutucou.


– Bom dia!

– O que quer? – ela perguntou sem levantar o rosto do papel.

– Consulta com a Srt. Granger.

– E acha que eu sou ela? Entre de uma vez na sala ao lado, idiota!


Ronald soltou um suspiro aliviado ao ver que a louca não era a doutora.

Entrou na sala dela e percebeu logo a diferença entre ambientes, esse não tinha distração nenhuma, era feito para concentração.

Ao ver a doutora, seu mundo mudou.

Não queria nem acreditar no que estava vendo.

E podia jurar que sua crise não precisaria mais de consulta nenhuma.


Quando ouviu o nome da psicóloga, sabia que o tinha reconhecido de algum lugar, mas não se lembrou de onde.
Agora sabia exatamente de onde era.


Hermione Granger...




A menina feia, estudiosa e esquisita que estudou com ele quando era criança... mas ele admitia que tinha uma queda pela inteligência dela.


Era um contraste óbvio, ele o jumento, ela a inteligente. Sempre foi assim na infância, e eles até tinham uma relação amigável.


Embora tê-la reconhecido imediatamente, ela não tinha nada de esquisita como antes, seus cabelos estavam cacheados, longos, seu rosto era afilado, estava com o corpo totalmente diferente do que era, afinal, eles eram crianças quando conviviam com o outro.



Quando ela se virou pra ele, se assustou um pouco. Sabia que seu paciente de hoje era Ronald Weasley, o conheceu na escola e ele era uma boa pessoa.

Na verdade, ela queria mesmo era ver como ele tinha ficado depois que ela saiu e se surpreendeu com o belo homem que viu, embora que ele parecesse tão desajeitado quanto era antes.

Acabou que nem se tornou uma consulta, eles conversaram sobre o que tinha acontecido em suas vidas durante esse tempo e quando chegou outro paciente, Ronald se foi com a promessa de que voltaria outro dia para conversarem mais.

As consultas com Hermione o ajudaram muito, e foram se tornando mais frequentes, até o dia em que ele achou que não precisaria mais delas.

Hermione se despediu dele e disse que estaria ali quando ele precisasse.

Ingênuo e idiota, por não perceber seus próprios sentimentos.


Ronald não conseguiu passar uma semana longe dela.



– Eu não estou bem! – ele falou assim que entrou no consultório dela.

– Oi? Não entendi, Rony. O que aconteceu?

– Quero sair com você!

– O quê? Não estou te entendendo.

Ele achou melhor mudar a proposta.

– Quero me consultar com você, só que em um lugar diferente... entendeu?

– Bem... acho que sim.


Hermione o consultou na cafeteria, no parque, no cinema, na creperia...

Na casa dela, na casa dele, em seu quarto...

Enfim, se tornaram mais que paciente e psicólogo.

Lilá tentou ir atrás de Rony, foi até a casa dele, mas quem abriu a porta foi Hermione.

Ela não fez nada, apenas disse que tinha batido na casa errada e foi embora.


Ela sabia que não tinha errado, conhecia bem aquela casa.


Ronald não percebeu que Hermione tinha falado de Lilá quando falou de uma mulher batendo a porta de sua casa, estava prestando atenção demais nos lábios dela enquanto falava.


“Só se cura a dor de um antigo amor com outro amor.”


Ronald curou a dor de um antigo amor com um amor mais antigo ainda, estranho, mas ele não ligava pra isso.
Tinha mais com o que se preocupar agora... tipo como e quando pediria Hermione em casamento.

Gisele Santos

 Era mais um dia calmo em hogwarts quando tudo mudou...

O professor Slughorn pediu pra que os alunos fizessem a poção Amortentia, mas ele mesmo fez questão de ficar de vigia pra que nenhum aluno bebesse a do outro.

Duas horas depois, Harry e Hermione já tinham terminado de fazer suas poções, Rony apenas olhava a papa em que a sua tinha se tornado.

Depois que todos acabaram, colocaram seus nomes em seus respectivos frascos de amostras e os colocaram em um suporte para o professor Slughorn. Hermione já havia colocado o seu e estava prestes a jogar seu excesso de poção fora quando o professor a chamou.

– Senhorita Granger?

– Sim, professor?

– Onde está sua amostra de Amortentia, ela não está em minha mesa.

– Sério? Eu poderia jurar que acabei de colocar uma lá, mas logo vou colocar outra...

E assim ela o fez. Logo depois saiu da sala junto com Harry e Rony a caminho do salão comunal da Griffinória.

– Vou pegar algumas coisas no quarto – disse Rony subindo para o dormitório masculino.

– Ele está quieto, você não acha? – perguntou Hermione olhando o caminho que Rony tinha pego.

– Um pouco... – respondeu Harry vagamente, pois, estava lendo o livro de poções.

Algum tempo depois, Rony desceu com um olhar distante. O salão comunal da Griffinória estava cheio, Harry e Hermione o viram. Quando o olhar de Rony focalizou em Hermione, seus olhos brilharam e ele abriu um grande sorriso, Hermione estranhou isso e apenas deu um sorriso sem graça de volta.

Mas se surpreendeu ao vê-lo descer correndo as escadas ao seu encontro, ela se levantou imediatamente e o olhava esperando o que ele estava planejando fazer... mas ela não esperava o que veio a seguir.

Ronald a puxou pela cintura e juntou seus lábios, ela arregalou os olhos no mesmo instante e tentou se afastar, mas Rony era forte. Ela se desesperou ao sentir a língua dele em contato com seus lábios, ela rapidamente pegou a varinha de seu bolso e murmurou: Expeliarmus!

Rony foi jogado pra cima do sofá, ainda com o olhar perdido. Todos que estavam no salão comunal os olhavam, Hermione tinha os cabelos meio bagunçados e respirava ofegante, quase tinha cedido a tentação.

Nesse mesmo instante de silêncio, Lilá Brown chega no salão comunal e corre ao encontro de Rony que desvia dela com rapidez.

– Won-won, vem cá – ela falou manhosa.

– Que “vem cá” nada, me deixa em paz...

– O quê? Eu sou sua namorada...

– Se é por isso, estou terminando com você agora! – Todos o olharam chocados.

– Por que você está fazendo isso comigo? – ela parecia que ia começar a chorar.

– Não é obvio? Sou apaixonado pela Mione...

– O quê? Ela nem tem falado direito com você...

– Isso não importa, acabou entendeu?

– Um dia você vai se arrepender disso, Weasley! – e saiu batendo o pé em direção do seu quarto.

Harry e o resto dos estudantes da Grifinória que estavam na sala olhavam espantados, Hermione tinha um ar de descrença que Harry nunca tinha visto em seu rosto, totalmente contrário o de Gina que olhava Rony com um sorriso orgulhoso.

– Finalmente ele se livrou daquele grude! – ela falou arrancando risos de algumas pessoas.

Harry começou a se desesperar ao ver Rony olhar pra Hermione e ir de encontro a ela, que ainda estava paralisada. No mesmo instante, ele correu e segurou Rony, que foi uma coisa realmente difícil comparando o tamanho dos dois, Rony era mais forte e mais alto que ele, enquanto Gina segurava Hermione e a arrastava para fora do salão comunal da Grifinória.

– O que foi aquilo? O que está acontecendo? – Hermione ainda estava perdida.

– Eu já ia perguntar a mesma coisa pra você... – Gina deu um sorrisinho – parece que algum bicho mordeu o Rony, um bicho bom... – Hermione corou como um tomate.

– Seja lá qual for esse bicho, está fazendo ele me agarrar e...

– Isso é bom não é?

– Não é bom... ele me agarrou Gina, onde está o respeito que ele deveria ter por mim?

– Bem, pelo menos ele já terminou com a Lavender... agora só falta você deixar de lado essa sua parte puritana e correr pros braços do meu irmão...

– Gina, você não entende? Isso não é normal, algo aconteceu com ele!

– Mas foi algo bom... – Gina foi interrompida por uma Hermione espantada.

– Só pode ter sido isso!

– O quê?

– Ele tomou da minha poção do amor e... bem que ele estava estranho. Porque ele fez isso?

– Talvez pra fazer o que não faria se estivesse consciente, algo que estivesse no mais profundo de seu coração...

– Bem, eu não sei mais de nada. Vou me esconder antes que ele me ache.

– Pra onde você vai?

– Pra sala precisa, acho que ele não vai se lembrar que eu possa estar lá.

– É uma boa, pode ir!

Algum tempo depois Gina chegou no salão comunal e encontrou Rony olhando furiosos pra Harry que já segurava uma varinha apontada em direção a ele.

– Qual seu problema, Potter?

– Eu tenho problemas, Weasley? Você acabou de agarrar a Mione na frente de todo mundo, sem nem mesmo falar com ela antes. Quem você pensa que ela é?