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Gisele Santos

Capítulo Único


Era inverno e eu estava triste, tinha acabado meu noivado com Lilá Brown há pouco tempo, estava tentando me acostumar com isso.

Existe coisa pior que casar com uma pessoa que só quer saber do quanto você ganha e do quando você ganhará para sustentá-la?

Pensei que ela fosse o amor de minha vida, namorávamos desde o ensino médio, eu tinha dezesseis anos quando começamos a namorar.

Se me perguntassem naquele tempo, eu poderia jurar que hoje eu ainda estaria com ela.

Isso faz com que eu me pergunte o que pode ter acontecido pra ela ter mudado nesse tempo.

São tempos difíceis para os relacionamentos.

Tempos tão difíceis que se eu não estivesse namorando, não me atreveria a entrar em um.

Tanto é que agora, um mês depois do término de nosso noivado, eu não quis saber de mulher nenhuma, estou tentando fugir de problemas.

Estou indo agora numa cafeteria com meu melhor amigo e cunhado, Harry. Ele é noivo de minha irmã mais nova, Gina.

Ao entrarmos, pude me deliciar com o cheiro que emanava daquele lugar, era daquilo que eu precisava depois de tantos anos.

Sim, anos, nós vínhamos aqui desde criança, aqui tem o melhor chocolate quente do mundo.

Olhamos na mesma direção, a do lugar de onde sempre ficávamos quando vínhamos aqui.

Embora ter mudado muito, aquele lugar não tinha perdido a magia de quando éramos crianças. Uma onda de nostalgia me bateu e eu comecei a olhar ao redor, por todos os cantos da cafeteria.

—Está procurando por ela? - Harry me perguntou.

—Está tão na cara assim? Será que ela ainda frequenta esse lugar?

—Bem, ela era a filha do dono daqui, se ainda forem os mesmos, ela deva aparecer aqui de vez em quando.

—Hum... Não seria ruim encontrá-la novamente, não acha?

—Não seria, ela era legal. Quem sabe não aparece antes de irmos embora.

Depois de termos feito nossos pedidos Harry puxou uma conversa esquisita.

—Hey, Rony...

—O que foi?

—Eu estava aqui me recordando... você sempre me pareceu meio apaixonado pela Hermione.

—Quem é Hermione? - perguntei confuso.

—A filha do dono da cafeteria.

—Eu apaixonado por ela? - debochei – Nem se eu quisesse. Ela só era legal.

—Aham... e o que me fala da fascinação que você tinha pelos cabelos dela?

—Eu era fascinado por eles? Não lembro disso... - tentei desconversar

—Vivia falando do cheiro que eles tinham.

—Como você sabe que eu vivia cheirando os cabelos dela?

—Você acabou de confirmar...- ele riu enquanto eu bufei - você já foi mais esperto, Weasley.

—Cale-se, Harry...

Como nós não resistimos a nostalgia, bebemos chocolate quente com alguns biscoitos.

Assim que acabamos, resolvemos ir embora, quando estávamos próximos da saída, uma mulher morena e de longos cabelos cacheados entrou de supetão na cafeteria. Ela tinha uma mochila grande e alguns livros sendo carregados entre seus braços.

Ela foi diretamente passando para trás do balcão e jogou suas coisas num canto qualquer.

—Hermione, não bagunce tudo! - falou um senhor que pude reconhecer como o dono da cafeteria.

—Pode deixar! - ela falou jogando mais alguma coisa em um canto qualquer, fazendo com que seu pai balançasse a cabeça em negação.

Depois de se organizar, ela olhou para nós, que só agora eu havia percebido que tinha acompanhado cada movimento dela.

Apenas puxei Harry e fomos embora.

—Lembra do romance que vocês quase tiveram?

—Lembro, Harry, o que tem ele?

—Bem, você está solteiro agora...

—Eu a esqueci totalmente quando conheci Lilá, acha mesmo que sou cara de pau a ponto de tentar algo com ela?

A conversa terminou ali.

Na semana seguinte, fomos lá novamente. Não vi Hermione, mas senti que estava sendo observado.

Sem perceber, meus amigos e eu voltamos a frequentar aquele lugar, as vezes Hermione estava lá, nos observando, ela nunca vinha nos atender.

Um certo dia, resolvi ir sozinho lá, era bem cedo, estava no inverno, nada melhor do que uma das delícias quentes daquele lugar.

Me surpreendi ao ver que apenas Hermione estava lá pra atender, havia também um segurança, mas ele ficava sentado num lugar próximo a porta.

Aproveitei as vantagens que eu tinha naquele momento e me sentei no mesmo lugar de sempre.

Não demorou pra que ela fosse me atender.

Eu pedi dois chocolates quentes, um com chantilly e outro sem.

—Aqui está - ela falou me entregando o que eu tinha pedido. Ela estava se retirando quando a chamei.

—Não quer que eu tome os dois sozinhos, não é?

—Estou trabalhando, Ronald – ela me surpreendeu ao falar meu nome.

—Vamos, Hermione, ainda está vazio...

—Foi assim da outra vez...

—Que vez?

—Quando nos conhecemos – ela suspirou e se sentou em minha frente mordendo o lábio inferior.

—Eu não lembrava disso.

—Você pareceu se esquecer de muitas coisas – ela falou soltando um sorriso triste, eu fiquei constrangido.

—Muitas coisas mudaram naquele tempo.

—Mas parece que voltaram a ser como era antes, já que você voltou a frequentar esse lugar, não é?

—Em partes... - suspirei – Olhe, eu sei que errei com você, que eu não deveria ter sumido assim, eu te dei esperanças, fiz promessas e não as cumpri...

—Você não precisa se desculpar, graças ao que eu passei com você, pude aguentar outras coisas de cabeça erguida...

—Não me venha com essa, eu te magoei. Quando percebi o que tinha feito e voltei aqui, descobri que você não estava mais no país.

—Consegui um intercâmbio no Brasil naquela época.

—Brilhante como sempre – pude ver as bochechas dela corarem – Foi bom o tempo que passou lá?

—Aprendi muito...

—Faz tempo que voltou?

—Há quatro anos.

—E o que faz agora?

—Estou terminando meu curso de letras.

—Você sempre amou escrever...

Depois disso eu olhei em seus olhos e sorri, ela sorriu envergonhada e terminou de tomar seu chocolate.

—Você vem amanhã? - ela me perguntou ao se levantar.

—Se você quiser...

—Eu só quero que faça o que tiver vontade de fazer.

—Talvez então... só se você tomar algo comigo depois.

—Fechamos as nove e meia da noite – ela falou enquanto dava as costas pra mim e caminhava para atender um cliente que tinha acabado de chegar.

Um novo amor não seria uma boa ideia, mas o que dizer que um antigo amor de inverno?

Gisele Santos
Capítulo Único


Ela não estava aguentando mais tudo aquilo, depois da guerra ela não conseguiu tirar seus pais da vida que eles criaram, ela não tinha o direito.

Eles já estavam formando uma nova família, sua mãe estava grávida, parecia ser de uns seis meses. Ela não podia mexer com a vida deles daquele jeito novamente.

Sua vida não tinha mais sentido, não conseguia pensar em mais nada a não ser em como não deveria estar viva, que deveria ter morrido com os outros.

Ronald e Harry tinham ido em missão para caçar o resto dos comensais da morte que haviam fugido. Ela tinha ido procurar os pais, por isso não fora com eles, se arrependeu depois.

A dor de ter perdido pessoas tão queridas e da distância dos meninos fez com que ela perdesse as forças e a vontade de viver. Ainda com isso na cabeça, ela caminhou até seu quarto e pegou o veneno que ela mesma havia preparado naquela tarde, se deitou na cama e bebeu. Pensando em como gostaria de ver os olhos azuis e os cabelos vermelhos de Rony pela última vez, perdeu a consciência.

Ao acordar, ainda confusa, ela pode reparar que não estava em casa, ela tinha um fio enfiado num braço que estava ligado a bolsa de soro. Embora saber que estava frágil, ela percebeu que não estava em um hospital, mas em um quarto conhecido.

Ao ver Gina entrar no quarto, ela se envergonhou do que tinha feito. Gina tinha profundas ollheiras, que pelo jeito tinham sido sua culpa.

– Gin..

– Shiuu... – Gina sussurrou perto dela, com os olhos cheios de lágrimas – não se esforce, vou cuidar de você.

Gina tinha se tornado uma medibruxa rapidamente, as consequências da guerra a fizeram se esforçar ainda mais.

– Me desculpe... me desculpe – Hermione começou a chorar. – eu não aguento mais tudo isso, estou perdida!

– Não está... perdida estou eu, ter que cuidar da minha amiga que tentou se matar, eu não sei o que fazer, Mione...

– Gina...

– É hora de você descansar! – vou te dar uma poção pra dormir.

– Obrigada... por tudo – Hermione falou antes de fechar os olhos e cair num sono profundo.

Ao acordar, percebeu que estava amanhecendo, o colchão velho rangeu quando ela se mexeu, ela sentiu que algo se movimentava pelo quarto, ao se virar, viu que era Gina.

– Hora de se levantar! – ela falou sorrindo – venha, você tem que tomar café.

– Me ajuda? – perguntou a ela.

– Claro! – ela retirou seu soro e a ajudou a se levantar.

– Gina, posso tomar um banho?

– Sim, venha, eu te ajudo no banho.

Quando saíram do banheiro, perceberam que mais alguém estava no quarto, quando Gina viu quem era, decidiu sair logo, dizendo que era melhor que eles conversassem sozinhos.

Hermione ficou tensa e ao mesmo tempo feliz em vê-lo, mas ficou triste ao ver que seus olhos tinham alguns rastros de lágrimas.

– Ron...

– Mione... – ele falou meio seco, ela recuou um passo.

Eles se olharam por um tempo, não suportando mais a distância de três meses, ela cambaleou e se jogou nos braços dele. Rony a apertou com tanta força que ela pensou que ele fosse quebra-la, mas não ligou pra isso, sentiu tanta saudade que não ligaria de morrer nos braços dele.

– Eu senti tanto medo, Mione... não faça isso de novo, por favor, não sei o que faria sem você!

“Já tem sido ruim o suficiente ter que fingir que tudo vai ficar bem, mas eu não vi mudanças desde que Voldemort morreu, tudo está tão confuso e incerto...”

– Me desculpe – ela também chorava e estava tão exausta se se apoiava totalmente nele.

Rony se sentou e encostou as costas na parede enquanto a colocava sentada em seu colo.

– Me prometa – ele segurou seu rosto -, prometa que nunca mais vai tentar tirar a própria vida!

– Ron...

– Prometa, Mione! – ele a olhava sério.

– Eu não sei se posso... eu não estou bem, Ron!

– Então prometa que vai tentar melhorar, por mim!

Hermione olhou pra ele e imediatamente se lembrou do que tinha pensado ao tomar o veneno, ela queria vê-lo de novo, e ela o viu... esse era o sinal.

– Por você, Ron, eu até enfrentaria Voldemort novamente – e recebendo dele um sorriso sofrido, encerrou a distância entre eles e lhe beijou.

– Faria o mesmo por você, nunca mais vamos nos separar, ouviu? – ela assentiu – Amo você e não sei o que faria se você não estivesse mais aqui quando eu voltasse.

– Eu fiquei sem saber por você estar longe... também amo você!
Gisele Santos
Capítulo Único


Eu tentava não acreditar naquilo.

Tentava fazer com que aquilo não me subisse à cabeça.

Mas era difícil...

Foram anos de risadas, amizade, lutas, brigas e desespero. Até que finalmente nos acertamos.

Lembro-me de cada lágrima caída, cada feitiço lançado, cada batalha vencida...


Lembro de tudo que envolve ele.


Permanecemos juntos namorando por alguns anos, que observando agora, parece que passaram voando.

E mesmo estando agora casada com ele, não quero acreditar que o tenho só pra mim.

Tenho medo de enlouquecer depois de tudo que passamos para que pudéssemos estar juntos em paz.

Mas pelo menos uma vez por semana eu falo aquilo em voz alta para não enlouquecer.



“Você é só meu, Ronald Weasley.”